
29 de Agosto de 2010
3,19-21.30-31: Humilha-te em tudo, e perante Deus acharás misericórdia.
"Humilhar-se em tudo" pode parecer, para algumas pessoas, procurar ser desprezado, mas não é. Não é tampouco esconder as próprias qualidades, às vezes, com intenção velada de não ser chamado a servir. Não é isso que nos ensina o livro sagrado. Humilhar-se é reconhecer seus próprios dons e atribuí-los a Deus, sua fonte. Seria, portanto, ridículo alguém se elogiar como se os dons que possui viessem de si próprio. Tudo o que somos e temos vem de Deus.
Com carinho, preparastes uma mesa para o pobre.
2ª Leitura: Hebreus 12,18-19.22-24a
Vós vos aproximastes da montanha de Sião e da cidade do Deus vivo.
O autor compara o Deus do Antigo Testamento com o do novo. Por quê? Há dois deuses? Não. É um Deus só. Mas o conceito que os hebreus tinham de Javé era o de um Deus terrível, cujas manifestações eram acompanhadas de sinais amedrontadores: fogo, trovões, raios, tremores das montanhas, etc. Por causa disso tudo, tinham medo de Deus. O Deus do Novo Testamento é o mediador de uma nova aliança. Com um detalhe: ele sempre foi fiel à antiga aliança, ao passo que o povo nem sempre. Apresentava-se como servo sofredor, aquele que tinha vindo para fazer os serviços mais humildes e nos propor sua doutrina de amor e de perdão incondicional. Sua intenção é, pois, nos mostrar a nova face de Deus. Não mais a do Deus castigador, mas misericordioso e que veio para junto de nós como servo de todos.
Todo aquele que se eleva será abaixado, e aquele que se abaixa será elevado.
Jesus proclama felizes aqueles que acolheram sem esperar retribuição de seus benfeitores, pois a recompensa será o próprio Deus. Esse último aceno a uma recompensa no céu pode parecer uma atitude egoísta de quem presta serviço. Não devemos ajudar os irmãos necessitados por causa de uma melhor posição que receberemos no céu. Aliás, não podemos merecer nada, porque os dons de Deus nos são dados graciosamente. Portanto, os pobres, os irmãos excluídos, devem ser amados porque Deus nos fez compreender que é maravilhoso amar como Deus ama, sem qualquer interesse.
Vanglorio-me de minhas qualidades, fazendo-me melhor que os outros? Atribuo meus dons a Deus e procuro empregá-los em proveito dos outros? Sou daqueles que se recusam a prestar qualquer serviço à comunidade por falsa humildade? Quando ajudo a alguém, faço-o, esperando receber dele alguma coisa em troca? Só auxílio quem me auxilia?
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