•  Quinta-Feira, 9 de Setembro de 2010

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Quinto mistério doloroso: Agonia e morte de Jesus na cruz

A via-sacra é um árduo caminho em direção ao Cal¬vário. É um caminho de tropeços, quedas, desilusões, cansaço, de olhares tristes e rostos desfigurados. É o itinerário do ser humano que vive sua hora de sombra, esperando o dia feliz da ressurreição. A via-sacra de Jesus termina na cruz; lá ele é pregado e içado aos céus. São os pregos que seguram e ferem sua carne frágil e sustenta sua cabeça.


Neste mistério contemplamos a morte mais cruel a que um ser humano era submetido na época de Jesus. O Encarnado revela por meio da cruz sua fortaleza e garante a vitória aos que o seguem. No símbolo da cruz está a vida do povo criado à imagem e semelhança de Deus. Podemos até pensar que Deus deseja o sofrimento para seus filhos ao meditar a dor de Jesus. Porém, nossa fé permite transcender e ir além da mera aparência. Deus não quis a morte de seu Filho assim como não quer a nossa. Deus simplesmente se curva diante do mistério da vida. Se a cruz é loucura e contradição, a vida é fruto do amor que se encontra nela. Não se pode fugir do sofrimento negando-o. Sofrimento e crescimento encontram pleno sentido no calvário de cada dia.


Infelizmente o ser humano não compreende esta realidade tão necessária para harmonizar a vida. Jesus foi até as últimas consequências com sua opção de salvar e redimir todo o gênero humano. Assumiu com valentia a responsabilidade de mostrar aos filhos de Deus sua verdadeira essência sem se deixar abater. Jesus consolida seu amor na cruz ao estender os braços para abraçar a dor de cada homem e mulher sedento por vida nova. Seu sangue fecunda a Igreja que recebe a missão de curar os corações e reanimar as ausências. Na cruz o humano se torna totalmente divino e o divino eleva o humano. A plenitude se cruza no coração da cruz, no ponto central onde Jesus está.


Maria estava aos pés do sofredor. Olhava desde a terra a agonia daquele que saiu de seu ventre. A dolorosa oferece suas lágrimas para matar a sede de seus filhos carentes. A mulher com o coração transpassado se sensibiliza com o próximo e diante da cruz recebe a sublime missão de ser Mãe de todos os que sofrem e padecem necessidade. Contemplamos Maria na sua tristeza e impossibilidade de tirar o Filho da cruz, vemos a sua expressão de confiança diante da injustiça do mundo e sentimos sua fé, pulsando firme na vida dos que dela esperam a intercessão.
 

Se a cruz é sinônimo de desgraça e humilhação para os incrédulos, para o cristão ela se torna a boa terra que fecunda os áridos corações e devolve o brilho no olhar dos que se sentem desanimados.
 


Pe. Nilton César Boni, cmf, é autor do livro Deus em mim:
dez reflexões para se aproximar do Altíssimo, Ed. Ave-Maria.
niltonboni@claretianas.com.br

 por Pe. Nilton César Boni, cmf

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